Lição 5
As Bênçãos de Israel e o que cabe à Igreja
29 de janeiro de 2011
Professor Alberto
TEXTO ÁUREO
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.3,4).
VERDADE PRÁTICA
Se observarmos a Palavra de Deus, experimentaremos a verdadeira prosperidade: a comunhão plena, em Cristo, com o Pai Celestial.
COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.3,4).
O texto áureo deste domingo (Efésios 1.3-4) é uma expressão do apóstolo Paulo de ações de graças: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.3,4) há outras passagens em que Paulo da graças a Deus, veja a seguir alguns exemplos:
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação” (2 Co 1.3) ou “Louvado seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus, o Messias, o Pai compassivo, Deus de todo consolo” (2 Co 1.3);
“Para que concordes, a uma boca, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 15.6);
“Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 1.3);
“O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto” (2 Coríntios 11.31);
O apóstolo Pedro também usa essa expressão de ações de graças: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pedro 1.3).
Na verdade essa saudação ou citação inicial de Paulo e Pedro segue a fórmula litúrgica hebraica de uma b’rakhah, que é uma bênção ou um parágrafo de louvar a Deus, usualmente começando com a fórmula “Barukh attah Adonai”, “Louvado sejas tu, Adonai”, ou “Bendito és tu, ó SENHOR”, citando o Salmo 119.12, e continuando com uma descrição da razão específica por louvor a Deus naquele momento.
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,…”- Bendito, essa palavra significa “falar bem”, “louvar”, “exaltar”. Deus é a própria fonte da vida, Ele é exaltado e louvado pois através de Jesus, seu Filho, nos traz a vida eterna. O apóstolo Paulo dirige-se aos irmãos em Éfeso, louvando a Deus, bendizendo o seu Santo Nome, exaltando e glorificando a Deus (Efésios 1.1-3).
“…o qual nos abençoou…” ou “…nos tem abençoado…” – Deus é louvado e o homem que o louva é “abençoado”, “beneficiado”, “recebedor a abundância e graça de Deus”.Há aqui um jogo de palavras: “Deus é “bendito” por que nos “abençoa”.
“…com todas as bênçãos espirituais…” ou “…com toda sorte de bênção espiritual…” – a expressão indica tudo o que somos e possuímos em Cristo, bênçãos, dons espirituais, cidadania celestial, promessas proféticas, totalidade e elevado patrimônio espiritual. Em Efésios as bênção são citadas na epistolas como: 1.- Cidadania celestial (Ef 2.6);
2.- Transformação segundo a pessoa de Cristo (Ef1.23);
3.- Libertação do mundanismo, das cadeias das trevas, do pecado, da morte, paralelamente à entrada na vida eterna (Ef 2.1-6);
4.- Fim da ignorância e distanciamento de Deus, somos templos de Deus, habitação do Espírito Santo, com a obtenção de tudo quando Israel possuía, mas muito9 mais ainda (Ef 2.19 e versículos seguintes);
5.- Pela misericórdia de Deus em nós está canalizada e sobre nós está derramado abundantemente toda a sabedoria e prudência (Ef 1.8-14);
6.- Seremos algo singular da criação e na utilização da vontade de Deus, a Igreja de Cristo glorificada, a Noiva do Cordeiro (Ef 3.1-11; 5.32);
Resumindo, seremos como o Senhor Jesus e herdeiro com Ele, ou seja co-herdeiros (Ef 1.23; 2.4-7).
“…nos lugares celestiais em Cristo…” ou “…nas regiões celestiais em Cristo…” – a expressão “lugares celestiais” ou “regiões celestiais” aparece cinco vezes nesta epístola e em nenhuma outra parte do Novo Testamento (Ef 1.3; 1.20; 2.6; 3.10 e 6.12). Estão em pauta as “habitações celestes”, ou “regiões da existência celestial”, são habitações de Deus Pai e de Deus Filho (Ef 1.20). Morada dos remidos (Ef 2.6), habitação dos seres angelicais (Ef 3.10). O crente é peregrino na terra, em breve partirá para os “lugares celestiais”, lugar definido no texto presente, como regiões que pertencem a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo.
“…, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.3,4) – isto é, em Cristo Jesus, fomos escolhidos: “nos elegeu nele”. Fomos escolhidos por consideração a Ele, para que lhe fôssemos dados como seus irmãos, mediante a sua redenção, através de seu sacrifício, seus méritos exclusivos e visando sua própria glória. Os crentes em Jesus precisam compreender esse maravilhoso mistério, em Jesus Cristo, fomos eleitos antes da existência de toda criação, esse mistério, esse amor maravilhoso deve despertar em nós o desejo de santidade e vida piedosa, pois em Cristo, e exclusivamente nele, antes de qualquer criação fomos eleitos, por isso podemos dizer como o apóstolo Paulo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.3,4).
INTERAÇÃO
Quem não gostaria de receber uma bênção da parte de Deus?
Todos querem ser abençoados e o Senhor, na sua infinita bondade e misericórdia, tem bênçãos para todos.
Na sua Palavra encontramos muitas promessas preciosas e incondicionais para toda a humanidade, como por exemplo, a vinda do seu Filho Unigênito a este mundo (2 Pe 3.4).
Todavia, algumas bênçãos e promessas são específicas para Israel e outras são para a Igreja.
Na lição de hoje veremos que as bênçãos divinas podem ser gerais, individuais, para Israel e para a Igreja, porém enfatizaremos as duas últimas.
Procure ressaltar que já participamos das bênçãos da Nova Aliança quando, pela fé, entregamos nossa vida a Jesus e recebemos o perdão dos nossos pecados por intermédio do sangue do Cordeiro Imaculado.
Essa é a maior bênção que uma pessoa pode experimentar.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
• Identificar o caráter pessoal das bênçãos sobre Abraão.
• Compreender o aspecto nacional da bênção de Deus sobre Israel.
• Conscientizar-se de que através da igreja as bênçãos de Deus têm um alcance universal.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Inicie a aula fazendo a seguinte indagação: “As promessas bíblicas são válidas para as pessoas em todos os tempos?”.
Ouça com atenção as respostas e incentive a participação da classe.
Depois, com o auxílio das cópias, explique de modo resumido, alguns princípios para a interpretação das promessas bíblicas.
Princípios para a interpretação das promessas bíblicas
1. Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de serem válidas para todos os crentes.
2. Promessas feitas aos israelitas do Antigo Testamento geralmente não se aplicam a pessoas de hoje.
3. Algumas promessas bíblicas feitas no Antigo Testamento são aplicáveis aos dias de hoje. Nessa categoria estão as promessas bíblicas baseadas na natureza de Deus, promessas com paralelos em o Novo Testamento e promessas gerais para ‘os que confiam no Senhor’.
4. Os ‘ditos de sabedoria’ do livro de Provérbios não foram escritos para serem considerados como promessas bíblicas.
5. Palavras ditas por seres humanos registradas na Escritura não são, necessariamente, promessas bíblicas.
6. Algumas promessas bíblicas são incondicionais, enquanto outras são condicionais.
7. Ao interpretar as promessas de Deus, tenha sempre em mente o que outras passagens sobre o mesmo assunto revelam.
8. Ao interpretar as promessas de Deus, deixe o contexto determinar o significado apropriado das palavras bíblicas.
COMENTÁRIO
Palavra Chave:
PROMESSAS
Ato amoroso por meio do qual o Senhor estabelece um compromisso fiel e santo com seus servos.
Neste domingo, veremos que Deus deseja conceder bênçãos ainda maiores aos seus filhos.
Há bênçãos pessoais, nacionais e universais.
Em primeiro lugar, estudaremos as bênçãos prometidas por Deus especificamente a Israel.
E depois as que Ele destinou à sua Igreja.
Isto implica em analisarmos as promessas divinas do Antigo Testamento em seus devidos contextos.
Se não o fizermos, corremos o risco de não compreendermos devidamente o plano divino para a nossa vida.
Por conseguinte, há que se distinguir as esferas da atuação divina em cada uma das alianças.
Nesta lição, procuraremos mostrar, através da Bíblia, o que foi prometido a Israel e o que cabe à Igreja de Cristo.
I. ABRAÃO E O ASPECTO PESSOAL DA BÊNÇÃO
1. O alcance individual das bênçãos.
A Bíblia revela que Deus trata com pessoas e não apenas com nações.
É o que aprendemos com a vida de Abraão.
Na Antiga Aliança, as bênçãos contemplavam o presente, mas também apontavam para o porvir.
Eram circunstanciais, porém sinalizavam algo permanente.
As bênçãos, portanto, eram tanto temporais como eternas.
As temporais eram aquelas que diziam respeito à realidade pessoal do patriarca; as eternas referiam-se às promessas que estavam por se cumprir na plenitude dos tempos (Gl 4.4).
Quando Deus chamou Abraão de Ur dos Caldeus, o patriarca não partiu motivado por expectativas materiais e financeiras, mas saiu para cumprir a vontade divina.
“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.
Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus. Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido.
Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.
Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade” (Hebreus 11.8-16).
Mas nem por isso Abraão deixou de ser abençoado com bens materiais (Gn 24.35).
Ele sabia como lidar com o transitório, pois tinha a mente no eterno.
2. O alcance social das bênçãos.
De nada adianta possuir bênçãos materiais, se aqueles que estão ao nosso redor, não forem alcançados em decorrência de nossa confissão e testemunho (Gn 12.3).
De acordo com o texto bíblico, Abraão desfrutava de um excelente conceito por parte dos que o cercavam.
Através dele, todos eram abençoados (Hb 11.7,8).
Haja vista o reconhecimento que o patriarca alcançou ao longo da história.
Por intermédio dele, todos fomos abençoados com a salvação em Jesus Cristo (Gl 3.8,9).
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Por intermédio de Abraão, todas as nações tém acesso à salvação em Jesus Cristo.
II. ISRAEL E O ASPECTO NACIONAL DA BÊNÇÃO
1. O alcance geográfico das bênçãos.
Havia bênçãos dadas a Israel que eram de caráter puramente nacional; diziam respeito unicamente a ele como povo.
Por outro lado, havia aquelas de caráter universal e espiritual que apontavam para um futuro distante.
Como povo, Israel necessitava de uma terra para habitar.
Por isso, ao chamar Abraão, o Senhor prometeu fazer dele uma grande nação (Gn 12.2) e dar a terra de Canaã como herança perpétua a ele e aos descendentes (Gn 17.8).
O aspecto geográfico da bênção é muito importante na história do povo judeu.
Canaã foi prometida a Abraão e à sua posteridade.
A PROMESSA FEITA AOS PATRIARCAS
ABRAÃO – “Ora o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3).
ISAQUE – “E apareceu-lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser;Peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti e à tua semente darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai;Multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus, e darei à tua semente todas as terras; e em tua semente serão benditas todas as nações da terra;Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandamento, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” (Gn 26.2-4) .
JACÓ – “Eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, ta darei a ti e à tua semente;E a tua semente será como pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua semente serão benditas todas as família da terra” (Gn 28.13-14)
É uma bênção que diz respeito unicamente ao povo de Israel (Dt 28.8)
2. O alcance político das bênçãos.
Na lista de bênçãos a Israel, encontramos as de natureza política que se referiam ao seu relacionamento com nações vizinhas.
Israel estava localizado em um meio hostil. Por isso mesmo, dependia da guarda divina (Dt 28.7).
Mas, intervindo Deus, a nação israelita veio a ser respeitada e temida como propriedade particular do Senhor (Dt 28.10).
É fácil percebermos que nem todas as bênçãos prometidas a Israel, através dos patriarcas, podem ser aplicadas a nós, pois eram destinadas exclusivamente ao povo hebreu.
3. O alcance global das bênçãos.
Quando Deus diz a Abraão, por exemplo, que “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3), referia-se à salvação que viria a ser oferecida, gratuitamente, a todos os povos através da pessoa bendita de Jesus Cristo (Gl 3.8).
Com respeito à promessa, afirmou o Senhor Jesus: “Abraão viu o seu dia e se alegrou” (Jo 8.56).
Por conseguinte, a bênção da salvação não era apenas para a posteridade de Abraão, mas também para todos os povos.
O mesmo se pode dizer acerca do derramamento do Espírito Santo.
A promessa, embora feita a Israel, acha-se disponível a todos os que recebem a Jesus como salvador (Jl 2.28-31; cf. At 2.39).
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Nem todas as bênçãos prometidas a Israel podem ser aplicadas a nós atualmente, pois eram destinadas exclusivamente ao povo hebreu.
III. A IGREJA E O ASPECTO UNIVERSAL DA BÊNÇÃO
1. Transitório versus eterno.
Já vimos que as bênçãos na Antiga Aliança eram de natureza material, social e também espiritual.
Em todos os casos, elas faziam sobressair o seu aspecto temporal em contraste com a Nova Aliança (Hb 8.13; 10.34).
Nesta, as bênçãos são eternas.
O que foi prometido na Antiga Aliança tem o seu pleno cumprimento na Nova.
O transitório pertencia ao Antigo Pacto; o permanente ao Novo (2 Co 3.1-11).
Isto significa que as bênçãos, em sua plenitude, estavam reservadas para a Nova Aliança.
2. Material versus espiritual.
Afinal, o que pertencia a Israel e que pode ser também desfrutado pela Igreja?
Paulo escreveu aos Efésios que Cristo nos “abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais” (1.3).
É evidente, porém, que aquilo que é eterno pode englobar o transitório, assim como o que é coletivo pode contemplar algo particular ou individual.
As promessas espirituais atendem também as nossas necessidades físicas e materiais, embora o seu real propósito esteja muito além dessa dimensão.
O que deve ser destacado é que o material jamais deve sobrepor-se ao espiritual.
Inverter a ordem das coisas é incorrer em sério risco!
As bênçãos da Antiga Aliança, por exemplo, incluíam bois, jumentos, ovelhas, prata e ouro (Gn 24.35; Jó 1.1-3).
Por outro lado, as da Nova Aliança fazem referência à justificação (Gl 2.16,21), ao dom do Espírito Santo (Gl 3.2), à herança espiritual de filho de Deus (Rm 8.14), à vida eterna (Gl 3.21; Rm 8.2) e à verdadeira liberdade que só encontramos em Cristo (Gl 4.8-10; 5.1).
Em outras palavras, as bênçãos da Nova Aliança se sobrepõem às da Antiga e são superiores e exclusivas para os crentes do Novo Pacto, tanto judeus quanto gentios (Hb 8.6).
Basta aceitar a Cristo para ter acesso a elas.
3. Pobreza e riqueza.
O crente não precisa idealizar a pobreza como evidência de uma vida espiritual plena.
O Novo Testamento, aliás, não condena a posse de bens materiais e o gozo de plena saúde.
A Escritura mostra exemplos de pessoas piedosas que possuíam bens terrenos (Jo 3.1; 19.39) e desfrutavam perfeita saúde (3 Jo 2).
O que não se deve esquecer é que na Igreja há irmãos carentes e enfermos (1 Tm 5.23; 2 Tm 4.20).
E isso não significa que os crentes pobres e doentes não estejam em comunhão com Deus, pois como advertiu-nos Jesus, no mundo teremos aflições.
SINOPSE DO TÓPICO (III)
Todas as promessas divinas feitas na Antiga Aliança têm o seu pleno cumprimento na Nova.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Escrevendo aos filipenses, o apóstolo Paulo afirmou: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
Embora o cristão não tenha como evitar o lado “temporal” da vida, seu olhar deve fixar-se em sua redenção eterna.
Jesus sabia da sedução que os bens terrenos podem exercer sobre nós e por isso advertiu: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt 6.21).
Por esse motivo, coloquemos o Senhor Jesus sempre em primeiro lugar.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RHODES, R. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1.ed., RJ: CPAD, 2006.
BENTHO, E. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 4.ed., RJ: CPAD, 2006.
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I
Subsídio Teológico
“Algumas promessas bíblicas feitas no Antigo Testamento são aplicáveis aos dias de hoje.
Nessa categoria estão as promessas bíblicas baseadas na natureza de Deus, e não em circunstâncias específicas concernentes aos israelitas. Um exemplo disso é Isaías 55.11, que faz referência à eficácia da Palavra de Deus: ‘Assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei’. Essa promessa está baseada inteiramente na soberania intrínseca de Deus. Como o versículo está baseado na natureza de Deus (uma natureza que não muda), ele fala de algo que é verdade em qualquer tempo e em qualquer lugar. Portanto, podemos ficar seguros de que a Palavra de Deus é tão eficaz hoje quanto era na época do Antigo testamento. Algumas promessas feitas no Antigo Testamento se aplicam hoje por causa das fortes promessas paralelas encontradas no Novo Testamento. Esses paralelos indicam que Deus faz determinadas promessas gerais aos que o seguem, não importa se viveram na época do Antigo ou do Novo Testamento, ou até depois. Um exemplo está em Salmos 34.22: ‘O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que nele confiam será condenado’. Isto soa bem semelhante a João 3.18, onde lemos: ‘Quem crê nele não será condenado’” (RHODES, R. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1.ed., RJ: CPAD, 2006, p.22).
AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II
Subsídio Hermenêutico
“Ao interpretar as promessas de Deus, tenha sempre em mente o que outras passagens sobre o mesmo assunto revelam. A Escritura interpreta a si mesma. Este princípio diz que, se alguém interpreta um determinado versículo de uma maneira que contradiz claramente outros versículos bíblicos, então essa interpretação está incorreta. A harmonia escriturística é essencial. Em vista desse princípio, considere a promessa bíblica em Marcos 11.23,24: ‘Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis’.
Precisamos interpretar essa promessa à luz do que é revelado por outros versículos da Bíblia. O contexto mais amplo da Escritura impõe limitações sobre o que Deus nos dará. Deus não pode nos dar, literalmente, qualquer coisa. Por exemplo, Deus não pode atender a solicitação de uma criatura para ser Deus, nem atender um pedido de aprovação do nosso pecado. Deus não nos dará uma pedra, se pedirmos um pão, nem uma serpente, se pedirmos um peixe (Mt 7.9,10).
A Bíblia impõe outras condições, além de fé, sobre a promessa de Deus atender a oração. Precisamos estar nEle e deixar que a sua Palavra esteja em nós (Jo 15.7). Não podemos ‘pedir mal’ para satisfazer nosso egoísmo (Tg 4.3). Além disso, precisamos pedir ‘segundo a sua vontade’ (1 Jo 5.14). Não podemos nos esquecer que, quando reivindicamos promessas condicionais de Deus, este ‘se for da tua vontade’ deve sempre ser dito, explícita ou implicitamente. A maioria das modernas versões bíblicas tem referências cruzadas listadas numa coluna. Recomendo que, ao ler uma promessa bíblica, você examine as referências cruzadas para ter certeza de que está interpretando a promessa corretamente” (RHODES, R. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. 1.ed., RJ: CPAD, 2006, pp.25-6).


